Rodei o gatilho, como em roleta russa. Olhei para minha vítima; chorava. Em prantos, implorando por piedade. Eu não teria; eu não podia. Aquilo ali era a minha vida e vingança do passado. Eu precisava completar minha missão e depois puxar um cigarro do bolso e fumá-lo. Ir até o carro e tomar uns goles do meu uísque envelhecido. Era a minha alma, era mais que o meu subconsciente. Era plausível. Muito mais que tangível. Era desejo, era intrínseco.
Ela continuava ajoelhada, clamando a Deus, para que tivesse piedade. Mas quem precisava de piedade ali era eu. Eu era o assassino. Eu tinha o revólver na mão.Mas então puxei o cigarro do bolso. Joguei o revólver no chão e a olhei. Dei as costas. Fui embora. Tragando minha nicotina, minha droga preferida. Mas ouvi os ruídos.
Olhei para trás, então. E eu era a vítima. A filha da puta me atirou.
Porém, me pergunto, será que realmente entenderam o sentido do vídeo? Será que viram o significado, a mensagem que há por trás de toda àquela arte? Pois vamos lá.
Significado: GaGa queria nos mostrar, com isso, que mesmo hoje em dia vivemos em uma espécie de ditadura militar. Ela defende o amor homossexual, e a sociedade ainda rejeita, o preconceito ainda é imenso. É uma ditadura! Ou não?
Gays e sexo: GaGa é visivelmente apaixonada por Alejandro, Fernando e Roberto. O ruim da situação é o fato de os três serem gays, portanto, não a querem. GaGa então os prende em um quarto, com três camas (um em cada cama, dã), para que ela possa aproveitar deles sexualmente. O salto alto em cada dançarino indica o lado feminino presente neles.
Religiosidade: GaGa, cansada de sofrer amorosamente por Alejandro, Fernando e Roberto, decide virar freira. Assim ela achava que, impondo a religião, não teria mais de gostar deles.
Há então uma cena em que GaGa é aclamada por todos os dançarinos gays: O voto da abstinência os deixa felizes, pois ela não teria mais de abusá-los.
Engolindo o terço: Representa apenas mais uma parte da ditadura que vivemos hoje em dia. Vivemos em um mundo hipócrita e engolimos a religião de cabeça baixa, sem questionar a nada. Há também quem diga que GaGa engole o terço para interiorizar sua fé. Quem sabe? Das duas formas, não é blasfêmia.
Unissexualidade: Quando GaGa aparece vestindo uma roupa mais discreta e o corte de cabelo idêntico ao corte dos dançarinos, ela quer representar a unissexualidade. Sem julgar sexo, opção sexual e etc. Somos todos iguais.
Enterro e coração: No caixão, é Alejandro. GaGa o mata. Na mão dela, o próprio coração. Com uma estaca. Seu sofrimento é representado; ela não tem mais Alejandro.
Cordas: Perceba que GaGa e o militar estão presos por cordas suspensas. Isso representa a marionete que somos da sociedade. Somos marionetes do padronismo, onde seguimos as coisas porque a sociedade impõe. Mais uma crítica.
Fim: GaGa parece se desmaterializar no fim do vídeo. Representa a morte espiritual da cantora. Após perder Alejandro de todas as formas, a angústia e frustração tomou totalmente conta dela. Assim, sua morte não é física. É espiritual.
Bem, eu sei que não sou o melhor explicador pra este vídeo tão polêmico e enigmático, mas eu só queria que enxergassem o verdadeiro sentido dessa OBRA DE ARTE que GaGa nos disponibilizou, ao invés de ficarem falando merda por aí. Beijos.
Reflections é como eu costumo nomear os textos que escrevo geralmente quando uma forte emoção toma conta de mim - seja amor, ódio, frustração, tristeza etc. Portanto, não se assustem com o que podem ler nesta coluna.
E, ah! Sim, são reflexões! Mas não tão explícitas. Procure buscar o mais fundo possível, entenda o texto, incorpore-o a você!
Comentem o que entenderam e se gostaram. Opiniões são sempre bem-vindas :D
1. Espero que não se importe
Eu nunca quis dizer isso... Tosco. Ridículo? Ou pura necessidade.
É. Solução. Um manual de instruções não me guiou até você. Eu te encontrei. Não usei um guia. Não usei a bola de cristal que eu guardo no armário. Eu me usei. Na verdade, meu coração me usou. Eu fui usado. Como um boneco; uma marionete.
Mas infelizmente eu fui vítima. Fui golpeado, senti um solavanco no peito e arfei. Ofegante, enquanto as lágrimas densas escorriam pelo meu rosto. Mas eu te olhei, mesmo que você não me olhasse.
E eu quis dizer, eu queria muito dizer. E eu espero que você não se importe. Mas eu preciso de você. Eu te amo.
Era a segunda noite que eu não conseguia dormir. A luz do luar incidia na minha escrivaninha, atravessando a horrorosa janela de mosaico do hotel.
Nada será como antes, agora eu tenho certeza. Eu nunca me imaginei, em toda minha vida, chorando por alguém ― tão intensamente, como se minha vida dependesse disso. Eu nunca fora tão supérfluo, tão sensível. Talvez, agora que você se fora, eu tenha aprendido o que é amor e o que é valor. Qual a diferença entre os dois?
Agora eu sei.
Só não sei se gritar adiantaria alguma coisa. Duvido que você me ouviria ― nem se quisesse. Agora você está longe, como nunca esteve antes. A água do mar respinga no seu rosto, você sente a brisa leve tocar-lhe os cabelos... E eu, continuo aqui, prometendo a mim mesmo que nunca amarei novamente.
Não me importo com a imagem que será refletida aos outros, e nem com o peso que isso vai exercer. Não me importo com o fardo que terei que carregar, nem com o que vão falar. Nada mais me importa, nada mais consegue ser acessível aos meus dinâmicos olhos, à minha visão periférica do que é bom para mim.Na verdade, me importa sim se vai ser bom pra você. Minha recompensa vai ser ver você sorrir e dizer que, finalmente, está dando certo (ou não). Mas realmente, só sei que nada sei. E nada me importa. E nada mais eu gostaria de ter ou saber. Eu só quero você aqui. Vem, e nós podemos escrever um romance ruim. Não importa. Eu compro, leio e releio, quantas vezes isso me fizer bem.
inspiração em "Bad Romance by Lady GaGa".
Escravizado por tal sentimento que me perturba ao dormir, ao acordar e também ao desenvolver do dia. Mas a esperança é a última que morre. Ou não? Ou será que há uma hora em que nem mesmo a esperança é capaz de revigorar seus sentimentos e lhe dar forças para olhar pra frente, suportar o peso de Atlas?
Aí é difícil.
Mais difícil ainda quando você já não é mais tão capaz de acreditar naquilo que você acreditava ontem. Quando tudo que, por algum motivo, lhe era crível, torna-se quase irrevogavelmente inacreditável. Aí, sim; é quando o peso de Atlas cai sobre o meu corpo.
Mas eu prefiro continuar aqui, acreditando que um dia dará certo. Afinal, eu ainda estou escravizado.
Era estranho pensar sobre o amor, estando morto e condenado eternamente ao Campo dos Asfódelos. Se ao menos eu tivesse alcançado Ísis, onde a prosperidade reina excessivamente... Mas não. Eu estava nos Asfódelos.
Era incrivelmente grande. A cada dia, chegavam centenas de novos mortos aos Asfódelos. Hades estava até irritando-se, por ter que arrumar maneiras mirabolantes de comportar todos aqueles mortos lá dentro.
Eu gostava de assistir aos julgamentos. Sempre que uma alma era condenada ao Tártaro, era terrível. Elas gritavam de desespero. Passar a eternidade no Tártaro não é lá algo que se deseje muito.
Mas enfim... Após eu ter descoberto que Mary, na verdade, era Sally, tudo tornou-se mais obscuro. Raramente eu a via, e estava sempre no Bosque Gótico, vagando desorientada. Mas eu a entendia. Meu primeiro ano nos Asfódelos fora horrível, onde eu também vagava desorientado pelos Bosques e Florestas amaldiçoadas, sem saber o que "fazer".
Sentei-me, um dia, sob a copa de um eucalipto envelhecido. Sally estava cerca de seis metros adiante, "cuidando" de azaleias murxas, a feição inexpressiva. Levantei-me, então, e tentei falar. Mas quando tu és morto e estás há muito tempo nos Asfódelos, tua voz torna-se fraca, quase inaudível. Então, ao sair a primeira palavra xoxa, eu desisti.
Sally olhou-me assustada. Acho que a espantei, pois logo ela largou as flores e saiu, vagando tristonha, rumando a qualquer outro lugar sombrio daquele mundo.
Embora morta, Mary - foi como eu a batizei - parecia extramente viva. Toda sua leveza contribuía para que eu finalmente sentisse que estar ali nos Asfódelos era bom, pelo menos enquanto eu a observava mover-se lentamente adentro das árvores mortas no Oeste do Campo.
Seus olhos, verdes, pareciam também vivos. Refulgiam tanto a cada olhar que pareciam feitos de luzes neon; seu olhar também era assustador, carregado de uma possível frustração passada. Mas, o que isso me importava agora? Afinal, ambos estávamos mortos.
Mas então foi quando percebi: Não era uma moça qualquer. Não era Mary. Não era apenas uma morta que chegara aos Asfódelos, igual acontece todos os dias em massa. Era ela. Era o meu amor.
Olhei-a, então, atônito, mais bobo que antes, pensando. Eu sabia, de fato, que um dia ela chegaria. Ela morreu, então, vinte sete anos após a morte, e como pôde ter chegado aos Asfódelos tão bela, talvez até mais bela do que quando viva?
Foi quando eu me dei conta que permanecia apaixonado irrevogavelmente por Sally. Foi quando eu me dei conta que o juramento "até que a morte nos separe" é pura mentira.
Clique aqui para ler "Asfódelos I".
I've been thinking, recently, about what is right and what is wrong. Finally, I've been thinking: How have I been right?
How can I be falling in love with her without even talking to her so much? It's not normal, I really cannot understand.
How much will I pay for what I haven't done, for what I've never wanted? It's not fair.
So, WHO'S THE JUDGE OF THE WORLD, DAMN FUCK?
I just hope he knows what he's doing with us.
Bravos sonhos, perdidos! Perdidos estão meus anseios
Ainda que eu andasse na mais sombria terra, jamais sentiria um outro desejo
Sequer eu sinto outra coisa a não ser profunda insatisfação
Horrenda dança varre minhas aventuradas memórias
Oh, deus que cobre-nos com tua infinita bondade!
Ainda que eu jamais possa encontrar um resquício de glória
De minha antiga e pacata vida sentirei saudades
Nunca vi algo parecido, vós quereis aterrar-me vivo!
Oh, lamentais! Lamentais por minh'alma que vaga com sofreguidão
Correis para longe, asqueroso espírito
Correis para longe, espírito de indignação!
Gélida lufada de ar invade-me o pulmão
Tento fugir, mas ainda não tenho sequer motivação
Deito-me na quietude do mais arrepiante negrume
E logo vem-me à essência a sólida sensação, a sólida solidão...
Percebo através do mais distante astro que cintila onde meu pai descansa
Oh, figura que fulgura! Oh, figura tão cruel que me assusta
Ainda que em minha terra algo normal seja a fria vingança
As deusas do bosque que buscam por morte nunca estiveram mais astutas
Peço, ainda, pela vida do mais raro peixe do Mar Vermelho
Não deixeis que eu vá! Não deixeis-me partir!
Pois embora na escuridão eu só encontre desespero
É aqui, só aqui, onde eu consigo finalmente dormir.
- por Guilherme Espinosa, 26/05/10
Eu nunca pararia - eu nunca poderia. Continuei caminhando, passeando por jardins enegrecidos e paisagem lúgubre. O horizonte estendia-se verticalmente, lançando uma luz crepuscular que me dava uma estranha sensação de nostalgia. Era triste, enquanto a multidão arrastava-se sem a menor motivação.
Meus olhos gotejavam sangue, minhas mãos estavam marcadas para sempre pelos riscos mortais que eu correra. Olhei para o lado, onde a densidade atmosférica era sufocante; à frente, via-se, bem distante, uma cachoeira, chamada de Ísis. Sua visão era inebriante, e todos nós rumávamos para que um dia pudéssemos alcançá-la. Sua cascata, que parecia um véu de noiva, caía resplandecente no fulgurante mármore que se erguia atrás de uma balaustrada imperial.
E meus olhos ainda brilhavam quando eu me lembrava da vida. Meus olhos ainda brilhavam, e logo gotejavam escarlate, ao me lembrar do amor que deixei para trás.
Assistes o mórbido sofrimento passar desimpedido
Visse teus filhos irem para sempre embora
Mas do silêncio mortal tu também és filho
Tu que gemes ao tentar desatar-se
Aroma funesto te invade o olfato
Correntes de fogo firmam teu mártir
Dor lancinante te atinge o tato
Lá fora apodrecem as mais belas flores
O que queres sentir, sutil desgraçado?
E naquela escura noite de horrores
Teu orgulho jaz agora despedaçado
Esqueças da vida; sensação perspicaz!
Teus sonhos estão mortos, tua esperança se foi
Mas se algo bom tua fé ainda lhe traz
Sou tua salvação, o Senhor dos Senhores.
- por Guilherme Espinosa, 24/05/2010
Eu queria, na verdade, poder controlar cada batida do meu coração. Poder escolher o que sentir, assim escolher nunca sofrer.
Queria poder te tocar novamente - ver você real na minha frente; queria poder ter coragem de dizer, queria poder parar um pouco de escrever, como se fosse uma terapia. A única forma de me tratar.
Queria poder sorrir ao sentir o vento soprar nos seus cabelos, fazendo-os balançar, enquanto passamos a tarde embaixo de uma árvore, felizes. Mas, como diz o velho ditado, querer não é poder.
Queria, então, poder parar de pensar em ti, a cada vez que deito-me para dormir; queria poder te abraçar e, finalmente, acreditar no final feliz. Queria poder dizer a todos que, não só achei o que eu sempre quis, mas sim que o tenho. Mas não, não posso.
Talvez um dia, quem sabe, eu consiga sorrir. Quem sabe, um dia, quando você perceber o quanto me faz feliz.
Então todas minhas mirabolantes ideias me levaram a uma inerte conclusão: O que é proibido, afinal? O que deve ser repreendido? Será que alguém deve repreender as coisas por você? Será que você é autoinsuficiente ao ponto de não poder olhar o mundo de acordo com o SEU ponto de vista, de acordo com o SEU ângulo? Não importa se sua melhor amiga vê aos noventa graus e seu pai aos quarenta e cinco. Você PODE enxergar pelo cento e oitenta, por que não?
Será que a incapacidade hoje é tão grande a esse ponto? Eu prefiro presumir que não.
Matar é proibido. A violência é que mais tem crescido ultimamente; o fruto sagrado era proibido, mas Eva, ainda assim, o comeu...
E tanta coisa hoje em dia é "proibida" e ninguém respeita, por que eu, logo eu, respeitaria?
Mas então, ouvi alguém chamar meu nome. Mas era só o dentista, estava na minha vez.
Eu nunca imaginei que eu pudesse sentir essa sensação. Mórbida sensação, uma doença rápida demais para a compreensão de cientistas, que vai corroendo seu emocional em poucos minutos. E ali estava eu, agonizando morosamente junto ao desespero. O meu lento desespero.
Mas eu, talvez, fosse capaz de suportar. Afinal, o amor era a única coisa realmente viva que corria dentro de mim. E vinte e três horas não era exatamente nada, comparado ao que eu esperaria por ela.
Como vou fazer isso parar?, pensou o bêbado. Apesar das incontáveis garrafas de álcool, alguma parte de seu cérebro continuava sóbria, bem real. Ele sabia que não lhe restava muito tempo de vida, sabia que em pouco tempo deixaria tudo e todos para trás. E logo John, que tinha ótimos amigos e uma família perfeita.
"Você vai me perdoar, Kate", murmurou ele para a escuridão. "Mas... eu não vou voltar mais.", concluiu e caiu novamente sobre o asfalto. Sua testa bateu diretamente no sólido, que imediatamente começou a sangrar. John tentou levantar-se, cambaleando, mas sua visão estava turva.
À frente, vinha um carro. O farol estava ligado e incrivelmente forte. A luz ofuscante cegou John por um instante, mas logo parou, e ele descobriu que não se tratava de um automóvel.
"Ora, ora, John", disse o anjo. John olhou-o, assustado. É só mais uma alucinação, pensou ele. Mas o anjo era muito real para isso.
"Quem é você?", perguntou o bêbado. "Sai - hic - daqui."
"Sinto muito, John, mas não posso ir sem antes cumprir minha missão." contou o anjo. Era alto, cerca de dois metros. Suas asas alvíssimas batiam levemente contra o vento; seus cabelos eram pretos e lisos, até os ombros; seus olhos refulgiam, mesmo na escuridão.
"Que... hic, missão?"
"Ora, John. Será que não percebeu o quanto Deus tem lhe salvado?"
John olhou-o enviesado. O efeito do álcool passava repentinamente. Mas John continuava a achar que era uma alucinação - não acreditava em Deus, tampouco em anjos reluzentes que apareciam no meio da noite para cumprir missões.
"Será que ainda não percebeu que, se fosse pelos acasos da sua vida, já deveria ter partido há tempo? John, não é esse o plano que Deus tem pra você. Veja seus filhos, veja a excelente esposa que Deus lhe deu! Será que ela merece isso? Um marido bêbado, à beira da morte?" indagou o anjo, sua voz de veludo ressoando na quietude.
"Você é de mentira..."
"Não sou, não, John. Eu fui enviado até aqui, no meio da noite, neste frio, para lhe trazer o conhecimento. Deus está lhe dando mais uma chance, John Albert Windsor Tasting. Reconheça-a."
John olhava atônito para o anjo. Era inacreditável; mal conseguia compreender metade das palavras que o anjo dizia. Era, obviamente, uma mentira.
"Pense, John. Se está vivo até hoje, não é por pura sorte."
A luz tornou-se ofuscante novamente, cegando John, e quando parou, era só escuridão novamente. E John continuou ali, sentado, confuso, sem saber o que pensar.
Eu deletei todos os posts antigos. Só deixei mesmo meus momentos de reflexão. Foi legal lê-los novamente. E o blog não tratará somente de textos. Eu procuro sempre postar de acordo com meu humor. Postarei sobre moda, opiniões em geral, problemas contemporâneos. O que estiver em alta na
Talvez eu poste hoje. Vou tentar pensar em alguma coisa.
Beijos e sejam bem-vindos novamente :D